Domingo, Maio 21, 2006

REVIRA E VOLTA



"Sucker love I always find, Someone to bruise and leaves behind."
["Every me and every you", do Placebo]


.::.Tédio.

Engraçado como as coisas na vida mudam de lugar no tempo ridículo do piscar dos nossos olhos. A gente tá achando tudo um barato, tudo muito bom, as pessoas todas muito engraçadas, e articuladas, e divertidas. E de repente, lá se foi. Lá se foi o encantamento e: bom dia mau-humor!

Enche meu saco ver como eu sou mutável, como minhas opiniões oscilam, como eu gosto e desgosto tão rápido, tão forte, tão intenso. Eu sou intensa e sei disso desde o dia que passei aquela madrugada toda na sua frente, olhando pra sua cara-de-pau e criando as respostas todas por mim mesma porque a sua boca não teria coragem de falar, e a sua cabeça, menos ainda, teria sabedoria.

É, eu também sei que sou prepotente. E sou muito. Não porque eu realmente me ache melhor do que o que acontece ao meu redor, mas sim porque eu tenho ciência do esforço brutal que eu faço para conseguir ser sempre a pessoa que não pede para ir "no" banheiro. E daí eu me escondo atrás da minha ortografia perfeita e as pessoas acabam achando que eu sou perfeita também. Aí eu sinto pena delas. E sinto pena da Sandy também, que deve cagar flores do campo. Eu acho que eu devo ser obscecada pela Sandy, xingar tanto assim uma pessoa não é normal.

Aliás, essa é uma das manias que eu deveria abolir. Mas a real é que é tão divertido xingar tudo e todos. Experimente também. Xingue, esbraveje, cuspa fogo na cara de quem não tem paciência de se redimir e nem culhões para se entregar. Porque a cada namoro que ele começa por impulso, como quem troca de cuecas, ele acaba com uma parcelinha sensível do coração de alguém. E ele sabe disso. Eles sempre sabem de tudo, mas fazem porque o pinto manda. O pinto deles é sempre de ouro.

E aí eu fiquei fria. E aí me beijam e eu não sinto, me olham e eu não vejo, me querem e eu quero sair correndo.

Em todas as vezes que eu sonhei em ter alguma coisa pra sempre, com alguém que fosse pra sempre, eu sempre soube que eu estava errada e que o pra sempre nunca chegaria. Em todas as vezes que eu olhei pra algum rosto e pensei em sorrir, eu sempre sorri porque era de graça, e bom, e não tinha preço. Em todas as vezes que eu me vi feliz eu aproveitei porque eu sabia e ainda sei que felicidade é momentânea, que as pessoas se apaixonam e se desapaixonam e não há nada mais gracioso do que a mudança de estado de espírito. Até o sofrimento pode ser bonito. Até poesia falando de cocô é poesia.

Sabe só o que eu queria de você? Um pouco mais de respeito. Porque esse, meu rapaz, é bom, e conserva os dentes da frente.

Sábia é minha avó.
[Rani Ghazzaoui]


.::. São Paulo está congelante.
Se joguem no chocolate quente!
E boa semana, crianças.


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Terça-feira, Maio 02, 2006

VÔA, VÔA...



"Dar é não ganhar.(...)
É não ter alguém pra querer casar, para apresentar pra mãe, pra dar o primeiro abraço de Ano Novo e pra falar: "Que que cê acha amor?".(...)
Dar é não querer dormir encaixadinho, é não ter alguém para ouvir seus dengos...
Mas dar é inevitável, dê mesmo, dê sempre, dê muito.
Mas dê mais ainda, muito mais do que qualquer coisa, uma chance ao amor.
Esse sim é o maior tesão."

[ já falei hoje que o Veríssimo é delicioso? ]


.::.Depois de tantas idas e vindas sentimentais, e depois de tanto caos e confusão veio a calmaria. Apasigüou um monte de coisas que estavam lá, turbulentas dentro dela, querendo borbulhar verdades mal ditas na cara de quem chegasse mais perto, porque chegar perto fazia carinho, mas também machucava, e as proximidades já andavam doendo nela há algum tempo.

Só que dessa vez foi tudo diferente.

Ele foi embora e ela não chorou porque, pela primeira vez na vida, conseguiu não ter dó de si mesma. Ela não fez a coitada nem a vítima da história e encarou a dor real, parando de hiperbolizar os sofrimentos para parecer tão mais profunda do que ela realmente era. Ela começou a escrever na primeira pessoa porque já não fazia muito sentido se esconder atrás da máscara dos terceiros.

Eu abri os braços pro mundo e pra todas as possibilidades boas que ele resolveu me dar, naquele momento. Pra mim, estava bom como estava, daquele exato jeito, naquela específica hora. Eu já não me importava com questionamentos e indignações com as coisas que insistiam em acabar porque eu estava muito entretida com as coisas que estavam prestes a acontecer. Já nem ligava para especulações, picuinhas, pessoas menores, pequenas, vazias. Eu andei e ainda ando com muita, mas muita preguiça mesmo de todas elas.

Percebi que quando a gente ama pouco a gente chora muito porque a esperança do pequeno amor se tranformar no amor da vida, vai embora junto com o namoradinho quinzenal que partiu. E foi fácil identificar que a gente chora muito, mas muito pouco quando ama pra cacete e percebe que se aquilo acabou por ali, é porque "...não foi eterno, posto que é chama. Mas foi infinito enquanto durou...", por mais brega que possa parecer. E amar é bom pra caramba, te deixa bonita, faz seu cabelo crescer mais forte. Mas ficar sozinha também tem suas inúmeras vantagens e eu confesso que eu estava sentindo falta do meu umbigo um pouco mais em destaque no meu universinho bolha.

E é fácil analisar o outro e fazer pré-julgamentos com sentimentos alheios. É fácil se pré-caver de todos os males de um final de amor sem nem ao menos ter experimentado as delícias de um. É fácil ser pré-conceituoso e achar que todo sentimento não vale, só porque acaba um dia.

As que só dão, vão ser sempre as que só dão. Mas as que acreditam no amor, mesmo quando só dão, estarão sendo sempre muito bem amadas, porque o que é delas, está guardado.
[Rani Ghazzaoui]


.::.Sem maiores delongas.
Sem photoshop em casa, por isso a foto porca.

Tenham uma boa semana, crianças!


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